História

O COMEÇO

Aurélio Fernandez Miguel começou cedo no judô. Com problemas respiratórios, por orientação médica, seus pais, espanhóis de Barcelona, buscaram uma atividade física para minimizar a doença. Escolheram o judô e o matricularam no São Paulo FC. Tinha pouco mais de quatro anos e alguns meses mais tarde passou a treinar na Academia da Vila Sônia com seu primeiro mestre, sensei Massao Shinohara.

A disciplina do judô aliada, o rigor do pai catalão e o talento fez com que Aurélio e seu irmão mais velho Carlos Augusto fossem ganhando gosto pelo judô. Não sem antes enfrentarem períodos de dúvidas e medos. “Eu não gostava de competir”, revelou Aurélio. Mas em 1972, aos oito anos de idade, Aurélio ganhou seu primeiro título: campão pré-mirim do Torneio Budokan. Começava a mais completa galeria de títulos de um judoca brasileiro. O atleta adquiriu o gosto pelos combates e unindo determinação, disciplina técnica e tática e uma incrível dedicação aos treinos foi se tornando um judoca altamente competitivo.

 

RUMO AO OURO

O primeiro título internacional de Aurélio Miguel é de 1982, quando ele conquistou medalha de prata por equipe do Mundial Universitário. Em 83, Aurélio sagrou-se campeão Mundial Júnior em Porto Rico. Em 1984, foi cortado da seleção Los Angeles por motivos políticos.

Um ano após uma cirurgia no ombro em 1986, Aurélio Miguel terminou o Mundial de Essen (1987, Alemanha) em terceiro. Mas o melhor aconteceria no ano seguinte com a medalha de ouro entre os meio-pesados dos Jogos de Seul- 88. Em 1989, junto com outros atletas rompeu com a CBJ contra o autoritarismo dos dirigentes. Só voltou no começo de 1992, após acordo.

Sem treinar bem e sofrendo contusões, Aurélio Miguel não foi bem em  Barcelona-92, quando Rogério Sampaio ganhou ouro. Em 1993 o judoca foi vice-campeão mundial em Hamilton-93, título que bisou em Paris (1997). Antes disso, nas Olimpíadas de Atlanta, ganhou bronze, sua segunda medalha olímpica. Depois de Paris, contusões impediram que ele se preparasse melhor para entrar para a seleção que foi a Sydney-2000. Em 2001 encerrou sua carreira para buscar novos rumos para sua vida.

ESSE NOME É DE LUTA

Aurélio Miguel nunca se acomodou com os louros de suas vitórias. Sem se preocupar com eventuais prejuízos pelo vigor de suas intervenções, sempre agiu no sentido de “ver as coisas andarem de modo correto”. Foi bastante natural, portanto, sua opção pela política. “Só conseguimos alterar a realidade do judô nacional quando buscamos a saída política”, lembrou o campeão olímpico hoje casado em segundas núpcias e pai de dois filhos e uma enteada.

Em 2002 o judoca tentou uma vaga na Camara Federal pelo PPS. Não obteve sucesso, mas dois anos depois foi eleito vereador em São Paulo com 38.419 votos pelo PR. Foi reeleito em 2007 com 50.084 votos. Sua atuação tem sido notável no apoio ao esporte, saúde, educação e, principalmente na fiscalização do Executivo. “É obrigação de um vereador zelar pelo bem público. Termos que estar atentos para ver como é gasto e aplicado o dinheiro dos impostos”, justificou.  Por sua atuação firme na luta pelos interesses públicos, Aurélio Miguel foi citado em uma matéria da Revista Veja-SP (12 de setembro de 2012) como o vereador mais lembrado pelo público consultado.