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Essa Luta Muda SP
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Campeão olímpico, Aurélio Miguel vibra com Chibana e dá apoio a Kitadai



Quando um esportista deixa de atuar, aquela máxima conhecida entra em cena. Ele deixa o esporte, mas o esporte não o deixa. Com o judoca Aurélio Miguel, campeão olímpico em 1988 (até 95 kg), acontece mais ou menos isso. Durante a carreira e depois que parou, em 2001, após ganhar um bronze na Olimpíada de Atlanta, em 1996, colecionou, além de medalhas, algumas polêmicas com a CBJ (Confederação Brasileira de Judô). 

Estando ele apoiando ou não a CBJ, quando o Brasil participa de uma disputa, sua atenção se volta para o tatame e, mais além, para o judoca em cena. Hoje, aos 51 anos, tendo ingressado na política (é vereador na capital paulista) acompanha à distância todos os passos, e golpes, daqueles que, de certa forma, tiveram ele como inspiração. 

Ao R7, Miguel, nascido em São Paulo, diz estar acompanhando o Pan de Toronto e vibrou com a atuação de Charles Chibana, na categoria até 66 kg, que ficou com o ouro no Pan. 

— Acompanhei as lutas do Chibana, trata-se de um bom atleta, que merece destaque. O judô brasileiro manteve um bom nível nos últimos anos. Montou uma boa geração e pode ter outros bons resultados.

O campeão olímpico também ressaltou a qualidade de Felipe Kitadai, percebendo a emoção do judoca no momento em que foi derrotado na disputa pelo ouro. 

— O Kitadai vinha bem na competição. É um judoca de qualidade. O equatoriano surpreendeu com um ataque rápido e ousado e o brasileiro foi infeliz. Acontece, nessa competição não pode haver descuido. Mas ele manteve o foco. O outro encaixou bem uma pegada. É preciso seguir em frente e manter a confiança.

Impulso na carreira

 

Miguel considera os Jogos Pan-Americanos uma competição importante no calendário. Na sua carreira, elas o impulsionaram a grandes conquistas. A prata conquistada jos Jogos de Caracas, em 1983, e principalmente o ouro em Indianápolis, em 1987, foram o prenúncio da medalha olímpica, a primeira de ouro na história do judô brasileiro.

— Jogos Pan-Americanos sempre são importantes, como competição e como preparação para qualquer atleta. Claro que não é o mesmo que uma Olimpíada. Um é relativo à América o outro abrange o mundo inteiro, o que é bem diferente no momento da disputa. Mas no Pan, competição que também vivenciei, a concentração também é importante, os atletas também precisam estar bem psicologicamente.

Agora como vereador, o ex-judoca mergulhou no ambiente político, e desde 2005 atua na Câmara Municipal de São Paulo. Mas não duvide se, durante alguma votação, ele for surpreendido por algum golpe da memória e ver no painel uma contagem relativa a ippons e wazaris. Nem parece aquele menino resistente que foi obrigado pelo pai, Miguel Marin, a entrar para o esporte aos cinco anos, por causa de problemas respiratórios, após orientação do médico. Ele foi, junto com a irmã e o irmão. E nunca mais saiu. 

— Até hoje pratico judô. Às vezes treino para manter um pouco da forma, na Associação da Vila Sônia. Treino com a garotada, é um bom exercício. Além disso, eu gosto.

O ex-judoca nunca escondeu que seu clube de coração, no futebol, é o São Paulo, onde começou no judô e se tornou conselheiro. Mas, como bom brasileiro, pode pegar emprestado uma máxima da torcida corintiana em relação aos jogadores: Jogai por nós. Aos judocas brasileiros, de certa maneira, hoje Aurélio Miguel diz: Lutai por mim.  

Fonte: Rede Record